"É tão difícil as pessoas razoáveis se tornarem poetas, quanto os poetas se tornarem razoáveis."

(Pablo Neruda)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

DICAS PARA O SEGUNDO EXAME DE QUALIFICAÇÃO DA UERJ

GLOBALIZAÇÃO

Na atual fase capitalista:


*os oligopólios suplantam os Estados no controle das economias nacionais;

*verifica-se o aumento considerável de fluxos de capitais (dinheiro), mercadorias, ideias, valores, imagens, conhecimentos, informações, doenças, criminalidade, migração e outros;

*a produção capitalista internacional incorporou a mão-de-obra de muitos países em uma estrutura empresarial mundialmente integrada;

*a grande parte da força de trabalho empregada pelas multinacionais está fora de seus países de origem – a produção capitalista internacional incorporou a mão-de-obra de muitos países em uma estrutura empresarial mundialmente integrada;

*a mundialização do capital faz-se sob a liderança da economia estadunidense;

*o grau de liberdade das economias periféricas recua frente ao capital sem fronteiras;

*a globalização econômica se faz presente através da difusão de hábitos de consumo e do modo de vida dos países desenvolvidos por meio de marcas mundialmente conhecidas, supermercados, redes de 'fast-food', etc.;

*o deslocamento cada vez maior do poder decisório da esfera pública (Estado) para a esfera privada (empresas), resultando no crescente controle da economia mundial pelas grandes corporações transnacionais (empresas e bancos);

*a Revolução Tecnológica, que ocorreu nas áreas das telecomunicações e da informática, possibilitou uma maior integração econômica entre os países, a partir dos últimos anos do século XX;

*a internet possibilitou o surgimento de mercados computadorizados que funcionam 24 horas por dia, uma cibereconomia que movimenta no mercado global trilhões de dólares por dia;

*vivencia-se a presença de um conjunto de blocos econômicos envolvendo países de um mesmo continente ou de continentes diferentes;

*a formação dos blocos econômicos mundiais não proporcionou um crescimento equitativo para todos os países membros;

*a difusão dos avanços tecnológicos contribui para a redução dos custos da produção e acelera o processo competitivo avançando na informatização, automatização e na robotização das atividades produtivas;

*as mudanças tecnológicas provocam o desaparecimento de determinadas profissões ligadas às áreas industriais e financeiras;

*o caráter dinâmico e flexível da economia se acentua no paradigma pós-industrial, que promove uma organização por redes particularmente possível devido ao avanço tecnológico das últimas décadas;

*acelera-se as fusões e aquisições entre conglomerados transnacionais devido, sobretudo, ao acirramento da concorrência (grandes investimentos em pesquisa, marketing e comercialização) em escala global;

*os países do capitalismo central estabelecem trocas desiguais com o mundo periférico, principalmente, pelo domínio científico-tecnológico;

*o comércio internacional adotou regras que facilitam as trocas, mas, por outro lado, conservou, ainda, artifícios que restringem as vantagens dos países menos desenvolvidos;

*observa-se a ampliação do movimento migratório do hemisfério sul para o norte, em vista das grandes dificuldades econômicas, financeiras, de emprego etc., existentes nos países subdesenvolvimento;

*intensifica-se as discussões internacionais sobre meio ambiente, em função da pressão das ONGs e da ampliação da consciência ecológica, o que não significa que haja consenso e cumprimento dos acordos firmados;

*a globalização social manifesta-se nos movimentos sociais estruturados visando a ideais como os direitos humanos e a defesa do meio ambiente;

*as populações dos países socialistas foram incorporadas à economia de mercado ou ao capitalismo, situação bastante vantajosa e lucrativa para as corporações transnacionais;

*a divisão internacional do trabalho influencia no intercâmbio do comércio mundial.


DESCONSTRUÇÃO INDUSTRIAL:


Desde meados do século XX, começou a se esboçar uma tendência à desconcentração industrial. No plano internacional, ela resultou na industrialização de regiões situadas nos países subdesenvolvidos, dotadas de importantes vantagens comparativas. Nos países desenvolvidos, a desconcentração industrial se traduz em deseconomias de aglomeração. Todos procuram maximizar seus lucros, diminuindo os custos de produção e ampliando seus mercados. A melhor localização é aquela que possibilita a maior rentabilidade possível.

A Revolução Tecnológica das últimas décadas acelerou a velocidade de transmissão da informação e modificou as noções de próximo e distante. Essas mudanças, hoje, influem, de maneira decisiva, nas estratégias de localização das indústrias.

Os atuais espaços industriais caracterizam-se pela capacidade organizacional e tecnológica de distribuir o processo produtivo em diferentes localidades, organizando-se, assim, em torno de fluxos de informação que reúnem e distribuem, ao mesmo tempo, as fases da produção.

REFLEXOS DESSA REALIDADE NOS PAÍSES PERIFÉRICOS:

*Ocorre implantação de avanços tecnológicos e expansão da produção em países periféricos, como estratégias instituídas pelo modelo industrial vigente, para ampliar seus mercados;

*Existe incentivo ao consumo dos produtos disponibilizados pela indústria moderna, alterando hábitos culturais nos países periféricos e atendendo ao sistema de capital mundial;

*Há discrepância entre o setor público dos países periféricos, com pouca capacidade de investimento, e o da iniciativa privada internacional e/ou nacional, que investe, cresce e se globaliza em diversos setores.

VANTAGENS LOCACIONAIS:

*níveis salariais mais baixos;

*disponibilidade de mão-de-obra altamente qualificada;

*matérias-primas baratas e abundantes;

*menor cobrança de impostos;

*frágil legislação ambiental;

*legislação trabalhista flexível;

*renúncia de tributos durante anos;

*incentivos fiscais e investimentos produtivos;

*segurança e estabilidade política;

*eficiente infraestrutura energética;

*proximidade de centros de pesquisa e de tecnologia de ponta;

*a existência da logística de circulação e o acesso às redes de informações.


CHINA: ZEES E ZONAS DE COMÉRCIO ABERTO

As ZEEs (Zonas Econômicas Especiais) foram idealizadas por Deng Xiaoping e implantadas a partir do início dos anos de 1980. Nelas, é permitido o funcionamento de uma economia nos moldes do capitalismo. Elas constituíram o modelo chinês para suplantar a estagnação econômica que, naquele momento, atingia o conjunto dos países socialistas e os afastava cada vez mais do nível de desenvolvimento do mundo capita¬lista, considerando a produção de bens e a geração de serviços. As Zonas de Comércio Aberto são regiões abertas ao comércio exterior e também à entrada de multinacionais, desde que respeitadas as restrições e que se associem ao governo ou aos empresários chineses por meio de joint ventures.

As cidades escolhidas para a criação dessas zonas de economia de mercado abriram-se para os investi-mentos estrangeiros e nelas se estabeleceram medidas semelhantes às adotadas nos Tigres Asiáticos: baixos impostos, isenção para importação de máquinas e equipamentos industriais e facilidades para a remessa de lucros ao exterior. Além disso, as empresas que se instalaram nessas regiões contam com mão-de-obra industrial muito barata, o que torna os preços dos produtos de baixo aporte tecnológico (têxteis, calçados e brinquedos) imbatíveis no mercado internacional. Num segundo momento, instalaram-se as montadoras de automóveis, como Volkswagen e General Motors, e as de equipamentos elétrico-eletrônicos.

Às multinacionais que se estabeleceram na China interessava, antes de tudo, entrar num país que abriga a quinta parte da população mundial e que pode se transformar em pouco tempo num dos maiores mercados consumidores do mundo.

A localização das ZEEs é estratégica: ficam perto do litoral, a pouca distância de outros grandes centros econômicos do Pacífico. Das quatro primeiras ZEEs, três estavam na província de Guangdong (Shenzhen, Zhuhai e Shantou) e uma em Fujian (Xiamen), perto de Hong Kong e dos países do Sudeste Asiático. As principais Zonas de Comércio Aberto são Xangai, Tianjin, Guangzhou, Dalian e Qingdao.

Entre as vantagens oferecidas pelo Estado chinês aos empreendimentos estrangeiros encontram-se:

*rendimentos livres de impostos, terrenos públicos e construções de qualidade a baixo custo, liberdade para remessa de lucros para o exterior e facilidades para associações entre o capital estatal e os investimentos privados globais;

*moeda desvalorizada que permite a exportação de produtos baratos para o mercado global;

*mão-de-obra local qualificada, com salários relativamente mais baixos;

*infraestrutura de transportes e telecomunicações moderna e promovida pelo Estado.

 A seguir estão apresentas as principais mudanças do perfil demográfico do país – no período destacado nos gráficos acima – e as suas respectivas causas e consequências.


1ª.MUDANÇA: aumento relativo e absoluto da população idosa (mais de 60 anos).

CAUSAS: progresso da medicina, isto é, da medicina preventiva (como por exemplo: a vacinação em massa da população), o que possibilitou a diminuição da taxa de mortalidade e aumentou a expectativa de vida; melhoria das condições de habitação, sanitárias e higiênicas, com a expansão das redes de água e esgoto; melhoria da qualidade de vida de parcela da população (como por exemplo: mudança de hábitos alimentares e a prática de atividades físicas).

CONSEQÜÊNCIAS: maiores gastos com o sistema de aposentadoria (Previdência Social, por exemplo); maiores gastos com o sistema público de saúde; necessidade de mais programas sociais voltados para o atendimento à terceira idade.

2ª.MUDANÇA: diminuição relativa da população jovem (0 a 19 anos).

CAUSA: queda da natalidade/fecundidade, em decorrência da divulgação e adoção de métodos contraceptivos

CONSEQÜÊNCIA: redução relativa dos investimentos demográficos (investimentos quantitativos em educação fundamental, investimentos na área de medicina neonatal etc.).

3ª.MUDANÇA: aumento relativo e absoluto da população adulta (20 a 59 anos).

CAUSA: queda da natalidade/fecundidade associada ao envelhecimento da população (aumento da idade média da população).

CONSEQUÊNCIAS: diminuição da taxa ou da razão de dependência; aumento dos investimentos em educação de nível médio e superior; possibilidade de aumentar o número de contribuintes da previdência (se houver geração de empregos); necessidade de um nível de crescimento econômico capaz de absorver um número proporcionalmente maior de pessoas que chegam ao mercado de trabalho.

OBS.: se confirmada a projeção populacional apontada pela pirâmide etária de 2050, haverá no Brasil uma redução do número de jovens no país, o que exigirá mudanças significativas nos investimentos, tanto do setor privado como do público, que precisarão ser redirecionados, pois as necessidades e o consumo mudarão, influenciando a vida econômica do país.


Conflitos da África:


*Saara Ocidental (conflito interno);

*Argélia (conflito interno);

*Serra Leoa (conflito interno);

*Libéria (conflito interno);

*Mali (conflito interno);

*Líbia (terrorismo);

*Nigéria (terrorismo e conflito internacional com o

Camarões);

*Camarões (conflito internacional com a Nigéria);

*Egito (terrorismo);

*Chade (conflito interno);

*Sudão (conflito interno e conflito internacional com a Etiópia);

*Etiópia (terrorismo e conflito internacional com Sudão e Somália);

*Congo (conflito interno);

*República Democrática do Congo (conflito interno e internacional com a Angola);

*Angola (conflito interno e internacional com a República Dominicana do Congo);

*Moçambique (conflito interno);

*Quênia (terrorismo);

*Somália (conflito interno e internacional com a Etiópia).

A Questão Palestina: cronologia dos principais acontecimentos:


*1947 – a ONU aprova a partilha da Palestina em dois Estados – um judeu e outro árabe. Essa resolução é rejeitada pela Liga dos Estados Árabes;

*1948 – os Judeus proclamam o Estado de Israel, provocando a reação dos países árabes. Primeira Guerra Árabe-Israelense. Vitória de Israel sobre o Egito, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano e ampliação do território israelense em relação ao que fora estipulado pela ONU. Centenas de milhares de palestinos são expulsos para os países vizinhos. Como territórios palestinos restaram a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, ocupadas respectivamente por tropas egípcias e jordanianas;

*1956 – guerra entre Israel e o Egito. Embora vitoriosos militarmente, os israelenses retiraram-se da Faixa de Gaza e da parte da Península do Sinai que haviam ocupado;

*1964 – criação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cuja pretensão inicial era destruir Israel e criar um Estado Árabe Palestino. Utilizando táticas terroristas e sofrendo pesadas retaliações israelenses, a OLP não alcançou seu objetivo e, com o decorrer do tempo, passou a admitir implicitamente a existência de Israel;

*1967 – Guerra dos Seis Dias. Atacando fulminantemente em três frentes, os israelenses ocupam a Faixa de Gaza e a Cisjordânia (territórios habitados pelos palestinos) e tomam a Península do Sinai ao Egito, bem como as Colinas de Golan à Síria;

*1970 – “Setembro Negro”. Desejando pôr fim às retaliações israelenses contra a Jordânia, de onde provinha a quase totalidade das incursões palestinas contra Israel, o rei Hussein ordena que suas tropas ataquem os refugiados palestinos. Centenas deles são massacrados e a maioria dos sobreviventes se transfere para o Líbano;

*1973 – Guerra do Yom Kippur (“Dia do Perdão”). Aproveitando o feriado religioso judaico, Egito e Síria atacam Israel; são, porém, derrotados, e os israelenses conservam em seu poder os territórios ocupados em 1967. Para pressionar os países ocidentais, no sentido de diminuir seu apoio a Israel, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) provoca uma forte elevação nos preços do petróleo;

*1977 – pela primeira vez, desde a fundação de Israel, uma coalizão conservadora (o Bloco Likud) obtém maioria parlamentar. O novo primeiro-ministro, Menachem Begin, inicia o assentamento de colonos judeus nos territórios ocupados em 1967;

*1979 – acordo de Camp David. O Egito é o primeiro país árabe a reconhecer o Estado de Israel. Este, em contrapartida, devolve a Península do Sinai ao Egito (cláusula cumprida somente em 1982). Em 1981, militares egípcios contrários à paz com Israel assassinam o presidente Anwar Sadat;

*1982 – Israel invade o Líbano (em plena guerra civil entre cristãos e muçulmanos) e consegue expulsar a OLP do território libanês. Os israelenses chegam a ocupar Beirute, capital do Líbano. Ocorrem massacres de refugiados palestinos pelas milícias cristãs libanesas, com a conivência dos israelenses;

*1985 – as tropas israelenses recuam para o sul do Líbano, onde mantêm uma “zona de segurança” com pouco mais de 10km de largura. Para combater a ocupação israelense, forma-se o Hezbollah (“Partido de Deus”), organização xiita libanesa apoiada pelo governo islâmico fundamentalista do Irã;

*1987 – começa em Gaza (e se estende à Cisjordânia) a Intifada (“Revolta Popular”) dos palestinos contra a ocupação israelense. Basicamente, a Intifada consiste em manisfestações diárias da população civil, que arremessa pedras contra os soldados israelenses. Estes frequentemente revidam a bala, provocando mortes e prejudicando a imagem de Israel junto à opinião internacional. Resoluções da ONU a favor dos palestinos são sistematicamente ignoradas pelo governo israelense ou vetadas pelos Estados Unidos. A Intifada termina em 1992;

*1993 – com a mediação do presidente estadunidense Bill Clinton, Yasser Arafat, líder da OLP, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, firmam em Washington um acordo prevendo a criação de uma Autoridade Nacional Palestina, com autonomia administrativa e policial em alguns pontos do território palestino. Prevê-se também a progressiva retirada das forças israelenses de Gaza e da Cisjordânia. Em troca, a OLP reconhece o direito de Israel à existência e renuncia formalmente ao terrorismo. Mas duas organizações extremistas palestinas (Hamas e Jihad Islâmica) opõem-se aos termos do acordo, assim como os judeus ultranacionalistas;

*1994 – Arafat retorna à Palestina, depois de 27 anos de exílio, como chefe da Autoridade Nacional Palestina (eleições realizadas em 1996 o confirmam como presidente) e se instala em Jericó. Sua jurisdição abrange algumas localidades da Cisjordânia e da Faixa de Gaza – embora nesta última 4 000 colonos judeus permaneçam sob administração e proteção militar israelenses. O mesmo ocorre com os assentamentos na Cisjordânia. Na cidade de Hebron (120 000 habitantes palestinos), por exemplo, 600 colonos vivem com o apoio de tropas de Israel. Nesse mesmo ano, a Jordânia é o segundo país árabe a assinar um tratado de paz com os israelenses;

*1995 – acordo entre Israel e a OLP para conceder autonomia (mas não soberania) a toda a Palestina, em prazo ainda indeterminado. Em 4 de novembro, Rabin é assassinado por um extremista judeu;

*1996 – é eleito primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, do Partido Likud (antes denominado Bloco Liked), que paralisa a retirada das tropas de ocupação dos territórios palestinos e intensifica os assentamentos de colonos judeus em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, em meio à população predominantemente árabe. O processo de pacificação da região entra em compasso de espera, ao mesmo tempo em que recrudescem os atentados terroristas palestinos. Em Israel, o primeiro-ministro (chefe do governo) é eleito pelo voto direto dos cidadãos.

*1999 – Ehud Barak, do Partido Trabalhista (ao qual também pertencia Yitzhak Rabin), é eleito primeiro-ministro e retoma as negociações com Arafat, mas sem que se produzam resultados práticos;

*2000 – Israel retira-se da “zona de segurança” no sul do Líbano. Enfraquecido politicamente, devido à falta de progresso no camiho da paz, e também devido às ações terroristas palestinas (além das represálias israelenses), Barak renuncia ao cargo de primeiro-ministro. São convocadas novas eleições, nas quais ele se reapresenta como candidato. Mas o vencedor é o general da reserva Ariel Sharon, do Partido Likud, implacável inimigo dos palestinos. Pouco antes das eleições, começa nos territórios ocupados uma nova Intifada;

*2001 – agrava-se o ciclo de violência: manifestações contra a ocupação israelense, atentados suicidas palestinos e graves retaliações israelenses. Nesse contexto, Yasser Arafat, já septuagenário, parece incapaz de manter a autoridade sobre seus compatriotas ou de restabelecer algum tipo de diálogo com Israel, cujo governo por sua vez mantém uma inflexível posição de força;

*2002 – Muro da Cisjordânia em construção;

*2004 – morre Yasser Arafat;

*2005 – Mahmud Abbas é o presidente da ANP. Israel remove assentamentos de Gaza;







*2006 – o Hamas vence a eleição palestina. Israel ataca o Líbano, visando à destruição do Hezbollah;



*2007 – choque armado entre palestinos. O Hamas assume o poder na Faixa de Gaza;



*2008 / 2009 – Israel ataca a Faixa de Gaza.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

COMENTÁRIOS RPH - AGOSTO

Fala galera! Segue os comentários das questões do mês de agosto.

QUESTÃO 01


a) No período mencionado, a população urbana do País aumentou, suplantando a população rural em 1970 e continuando a crescer até os dias de hoje.

b) Alteração das formações urbanas, com o crescimento do proletariado e, em menor escala, da classe média. Paralelamente, ocorreu o inchaço das cidades, com a marginalização de amplas parcelas da população, em consequência da falta de infraestrutura, da favelização e do aumento da violência em suas diversas formas.

QUESTÃO 02

a) Dentro da política econômica conhecida como New Deal, Franklin Roosevelt adotou, entre outras, as seguintes medidas: execução de um programa de grandes obras públicas, concessão de financiamentos aos fazendeiros, fixação de preços mínimos para os produtos primários, criação do salário mínimo e supervisão do governo federal sobre o sistema financeiro.

b) Fatores da crise de 2008-09: predomínio das práticas neoliberais, favorecendo a especulação financeira e a gestão arriscada de grandes corporações. A crise manifestou-se inicialmente no setor imobiliário estadunidense e contaminou bancos, indústrias e bolsas de valores em todo o mundo, gerando recessão econômica e altos índices de desemprego. No esforço para reverter esse processo, inúmeros governos intervieram rapidamente, seja com grandes aportes financeiros, seja com isenções fiscais.


QUESTÃO 03

a) Em 2005, a matriz de transportes observada no gráfico e pertinente ao Brasil é a rodoviária. Trata-se de uma opção priorizada a partir da década de 1950, tendo como objetivo principal desenvolver a indústria automobilística no Brasil e avançar no processo de industrialização, porém em detrimento de outras modalidades, a exemplo das ferrovias, que se desenvolveram em função inicialmente da cafeicultura e posteriormente da mineração.

O período entre as décadas de 1950 e 1970 foi marcado pela expansão de transnacionais, sobretudo do setor automobilístico, em direção aos países em desenvolvimento, como Brasil, Índia, México, Argentina e África do Sul, entre outros, que possuíam mercado consumidor em expansão, mão de obra qualificada barata e abundante, disponibilidade de matéria-prima e políticas públicas atrativas ao capital externo. Tais políticas públicas foram implementadas mediante o Plano de Metas do Governo JK, que enfatizava a necessidade de desenvolver os setores de transportes, energia e indústria de base, além do setor educacional, com ênfase na profissionalização e consequente geração de empregos.

Posteriormente, os governos militares (1964-1982) reproduziram o modelo desenvolvimentista, tendo como centro dinâmico da economia o setor automobilístico, mediante a implantação do PIN – Plano de Integração Nacional, priorizando o setor rodoviário com o objetivo de integrar as regiões brasileiras e os locais distantes à economia nacional.

b) A previsão da matriz brasileira de transportes para 2025 demonstra uma redução significativa da participação do sistema rodoviário em face do aumento percentual de outras modalidades, como o ferroviário, dutoviário, aquaviário e aeroviário. Essa alteração resulta da redução de custos de transportes, já que as referidas modalidades, exceto a aeroviária, possuem maior eficiência energética combinada com vantagens em deslocamentos de maior distância e peso total de carga. Tais previsões estão insertas numa política de preservação ambiental, com respeito às áreas de restrição e controle de uso do solo, menor emissão de elementos poluentes, atendendo às exigências da legislação ambiental nacional e aos compromissos externos assumidos.

QUESTÃO 04

a) As reservas de petróleo on shore no Brasil são encontradas, por exemplo, em: Rio Grande do Norte, Bacia Potiguar, nas proximidades de Mossoró, uma das mais produtoras bacias brasileiras da atualidade; Bahia, Recôncavo Baiano, nas proximidades de Salvador, a mais antiga bacia em produção no Brasil; Sergipe, campo de Carmópolis; Alagoas, Coqueiro Seco e Atalaia. Amazonas, produção pequena no Vale médio do Rio Amazonas e reservas de petróleo e gás na Bacia do Urucu.

Todas essas áreas se encontram em bacias sedimentares das Eras Mesozoica (Cretáceo) e Cenozoica. Essas regiões foram antigas áreas marinhas onde grande volume de matéria orgânica, sobretudo o plâncton (decomposto no fundo do mar), resultou na formação do petróleo.

b) O déficit comercial relativo na conta-petróleo relaciona-se ao tipo de petróleo consumido no Brasil e o petróleo aqui produzido. No Brasil, a maior parte do petróleo obtido em águas profundas é do tipo “pesado”, isto é, com grande quantidade de betume e elementos graxos. A isso, associam-se os tipos de refinaria que foram construídas no Brasil, voltadas para o craqueamento de petróleo “leve”, que era importado. Quando se deram descobertas off shore no Brasil e se percebeu que esse petróleo possuía outra estrutura química, a Petrobras estabeleceu a política de exportar o petróleo “pesado” e importar o petróleo “leve” (com maior riqueza em hidrocarbonetos, portanto melhor para a produção de destilados leves, como a gasolina, a benzina e o querosene), para que se chegasse a um equilíbrio financeiro. Tal fato se deve à estrutura de transportes que se desenvolveu no Brasil, baseado na rodovia, e que consome, principalmente, destilados leves de petróleo, como gasolina e óleo diesel.


QUESTÃO 05

a) Em geral, no Nordeste, concentra-se a indústria de bens de consumo não duráveis, como, por exemplo, calçados, tecidos e, principalmente, a indústria alimentícia, além da indústria de construção civil. Esse ramo industrial possui uma estrutura de funcionamento que emprega elevado contingente de mão de obra, em função de sua tecnologia mais simples, o que vem ao encontro das necessidades de geração de emprego numa região carente.

b) O parque industrial do Sudeste é muito maior, tanto em termos de número de estabelecimentos, quando em diversificação de setores, contando com indústrias que variam das mais simples às mais complexas, das mais leves às mais pesadas.

Isso ocorreu em função da maior concentração histórica de capital, que gerou diferentes necessidades de consumo e aumentou a diversificação. Além disso, em função de seu maior requinte tecnológico, essa indústria procurava ficar próxima a centros formadores de mão de obra especializada, que surgem em grande quantidade no Sudeste, representados pela presença de centros de estudo e pesquisa, como universidades e tecnopolos, dinamizando diversos setores. É claro que o maior número de trabalhadores empregados na indústria (como se entrevê pelo mapa) se deve , em parte, pelo fato de haver maior número de estabelecimentos, já que esses tipos de indústria nem sempre são as maiores geradoras de emprego, pois muitas delas utilizam elevado grau de automação na produção.


QUESTÃO 06

a) A Nova Ordem Mundial, surgida com a ruína da Ordem Bipolar eminentemente política, que vigorou durante a Guerra Fria, caracteriza-se pela prevalência da economia sobre a política. Em tese, passou o mercado a subordinar a política, num aparente triunfo da proposta econômica neoliberal.

A Nova Ordem Econômica Mundial constituiu-se sob a égide do neoliberalismo. O Estado, doravante, passa a ter uma função de gestor da infraestrutura da produção, de coadjuvante das atividades econômicas, e não mais de provedor, de gerador de bens e de capitais.

A disputa Oeste x Leste; Ocidente x Oriente; Capitalismo x Socialismo cedeu lugar à disputa pelo mercado mundial. Além da oposição entre as áreas de influência dos principais polos econômicos: Estados Unidos, Japão e União Europeia, intensificou-se o embate Norte/Rico x Sul/Pobre.

A falência do socialismo real, que na Ordem pretérita disputou espaço com a liberdade do mercado (com a denominada democracia burguesa), sugeriu que o Estado, onipresente nas economias planificadas e o sustentáculo nas economias subdesenvolvidas, deveria ceder espaço ao mercado. As relações entre oferta e procura passaram a reger as relações econômicas e políticas. As demandas sociais seriam supridas pelo mercado, sempre atento às necessidades, às carências, às reivindicações. Não haveria a necessidade de intervenção do Estado, um verdadeiro entrave à plenitude da produção do espaço capitalista.

O apogeu do mercado neoliberal, no entanto, aconteceu com a remoção de obstáculos ao pleno intercâmbio comercial. O livre comércio ganharia escala global com o fim das barreiras alfandegárias e das práticas protecionistas de qualquer espécie.

O Consenso de Washington, de 1989, ditou os ajustes macroeconômicos que norteariam a economia e as relações comerciais entre os países. O surgimento, em 1995, da OMC (Organização Mundial do Comércio), órgão multilateral em substituição ao GATT – acrônimo em inglês de Acordo Geral de Tarifas e Comércio, criado em 1947, passa a regular as transações comerciais, condenando as práticas inibidoras do livre comércio, tais como as barreiras alfandegárias, a prática de subsídios etc.

No entanto, o vigor da economia neoliberal foi posto à prova com a recente crise imobiliária nos Estados Unidos. Instituições financeiras, grandes grupos industriais mostraram-se incapazes de suportar os ataques especulativos decorrentes da instabilidade do mercado. A crise sistêmica obrigou grandes grupos econômico-financeiros a recorrer ao Estado, a fim de assegurar sua integridade, e este interveio visando à atenuação do ônus à economia e buscando a manutenção do nível de emprego.

Portanto, a ideia de uma Nova Ordem Econômica Mundial fundada no livre comércio passou a ser questionada a favor de uma economia gerida pelos agentes do mercado, mas com a presença do Estado como assegurador de sua estabilidade.

b) A despeito da organização das grandes instituições financeiras não ser democrática, pois as decisões tomadas por seus órgãos diretivos não se subordinam à opinião popular, é mister o regime político democrático para seu funcionamento, pois este lhe assegura um regramento tributário, financeiro, econômico fundamental para a consolidação do mercado e de seus mecanismos.

O aspecto formal da democracia é preferível a regimes autoritários, pois nestes as normas, as condições de produção, as regras fiscais e tributárias ficam ao sabor das autoridades, sobre as quais o grande capital não tem controle.

O neoliberalismo prescinde de regras claras e consolidadas para poder desenvolver-se; consequentemente, a democracia, mesmo que formal, é atraente aos investidores que, em teoria, estão livres de arbitrariedades de governos não democráticos.

QUESTÃO 07

a) O Índice de Gini revela a desigualdade interna dos países, ou seja, permite aferir a diferença de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres. Nesse caso, torna-se irrelevante a consideração sobre os níveis de desenvolvimento ou o PIB dos países, o que explica a classificação da França e da Índia nos mesmos níveis de desigualdade.

b) No Brasil, o sistema tributário é regressivo, ou seja, desproporcional aos níveis de rendimentos dos cidadãos, beneficiando os estratos superiores da sociedade.

Os mais ricos pagam, em valores absolutos, mais impostos que os mais pobres, se analisarmos de forma comparativa famílias com diferentes padrões de rendimento. Entretanto, as camadas sociais mais abastadas desfrutam de alíquotas, tetos de contribuição e impostos, assim como mecanismos de dedução e restituição que resultam em pagamentos proporcionalmente menores.

Entre os mais pobres, não ocorre a mesma facilidade nas mesmas operações. Do mesmo modo que os mais ricos, as classes sociais menos abastadas pagam por uma série de impostos indiretos (embutidos nos preços dos produtos), tais como IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto Sobre Serviços).

Finalmente, constataremos que em valores absolutos os mais pobres pagam menos impostos. Mas, em valores proporcionais, pagam mais, o que muitos analistas econômicos apontam como injustiça tributária. Contudo, levando em conta os impostos diretos, como o IR (Imposto de Renda) e o ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis), cujos encargos recaem principalmente sobre as classes mais abastadas, tendo em vista que a maioria da população brasileira não tem rendimento suficiente para pagar o IR, e quando o tem, as alíquotas são menores; os imóveis de menor valor pagam alíquotas menores ou são isentos, daí tais alíquotas serem consideradas mais justas do que os impostos indiretos.

Em uma análise comparativa, no Brasil, a alíquota de Imposto de Renda tem um teto de 27,5%, enquanto na França, país menos desigual, pode atingir cerca de 60% entre os mais ricos.


QUESTÃO 08

a) A ocorrência de atividades sísmicas está relacionada à convergência e/ou à divergência de placas tectônicas resultantes das forças endógenas que provocam a formação de correntes magmáticas.

Esse lento movimento culmina de tempos em tempos com a acomodação de placas tectônicas, acomodação essa que faz surgir os abalos sísmicos, os quais, nos continentes, são denominados terremotos e no fundo oceânico, maremotos, geralmente seguidos de tsunamis (ondas gigantescas).

b) Porque o Brasil está localizado no centro-leste da placa tectônica sul-americana, distante da região de contato com a placa de Nazca (Pacífico), onde a ocorrência de sismos de grande intensidade é mais frequente. O Brasil se assenta numa plataforma ou cráton muito antigo, da era Pré-Cambriana, no qual se destaca a estrutura geológica formada pelo escudo cristalino que protege a superfície da interferência mais acentuada desses movimentos endógenos.

Portanto, os abalos sísmicos no Brasil, geralmente, são de baixa intensidade, sendo raros aqueles com graus superiores a 4 na Escala Richter, como os ocorridos na costa do Nordeste – CE e RN.

QUESTÃO 09

(C) As placas tectônicas deslizam sobre o magma pastoso do interior da Terra e o movimento convergente entre algumas placas provoca os abalos sísmicos (terremotos, maremotos) e os tsunamis.

QUESTÃO 10

(C) Os círculos no mapa representam as principais zonas francas, como a de Manaus, Hong-Kong, Panamá, e grandes áreas exportadoras, como os Tigres Asiáticos.

QUESTÃO 11

(E) Na época colonial, Salvador era um importante centro comercial, localizado no Nordeste, que, do século XVII ao XIX, foi a principal região produtora e exportadora de açúcar.


QUESTÃO 12

(E) De acordo com o texto e a problemática abordada, o termo “gentrificação” faz referência às ações de revitalição das áreas centrais degradadas em grandes cidades.

Nesse processo, observam-se medidas de intervenção no espaço, como a modernização da infraestrutura e estímulo para a restauração e readequação de imóveis privados para novas funções. Esse tipo de transformação já foi observado em cidades como Nova York e Chicago e atende tanto à exploração turística quanto à especulação imobiliária. A remoção das famílias pobres e a oferta de imóveis para a classe média são fatos que confirmam essa tese. Em decorrência dessas transformações, o centro, outrora degradado, torna-se “revitalizado” com um processo de exclusão e remoção dos mais pobres denominado por muitos como “higienização social”.


QUESTÃO 13

(C) O centro histórico de Salvador tem se tornado alvo de estratégias políticas e comerciais de valorização do capital, sobretudo imobiliário e turístico.

Pela leitura do texto, percebe-se que o centro histórico de Salvador, assim como outras importantes regiões centrais, degradadas do ponto de vista socioeconômico, vem se configurando como objeto de planos e programas governamentais e de PPPs (Parcerias Público-Privadas) para sua revitalização. Tais políticas, porém, visam somente à readequação paisagística e incentivo às alterações de padrões ocupacionais por meio da realocação das populações de baixa renda para áreas de menor visibilidade sociopolítica e incentivo à ocupação de tais áreas por camadas sociais providas de maiores recursos financeiros, evidenciando a “higienização social” em tais áreas.


QUESTÃO 14

Princípios básicos do neoliberalismo: Estado mínimo, com pouca ou nenhuma intervenção nas relações econômicas e sociais (deixadas por conta da autorregulamentação do mercado) e com a privatização de empresas e serviços estatais. A crise econômica global tem sido atribuída ao neoliberalismo porque deixou de haver algum tipo de controle sobre as grandes corporações, as quais assumiram riscos incompatíveis com a manutenção do equilíbrio econômico. O Brasil foi atingido pela crise por estar integrado no capitalismo globalizado, ainda que na periferia do sistema.


QUESTÃO 15

1) De um lado, temos as cinco potências nucleares constituídas pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: EUA, Rússia (Ex-URSS), Reino Unido, França e China, signatárias originais do TNP – Tratado de Não Proliferação Nuclear – em sua origem (1968), porém só ratificado pelas duas últimas em 1992, todos já tendo desenvolvido experiências nucleares.

2) De outro lado, temos o grupo de países não integrantes do Conselho de Segurança da ONU como membros permanentes, mas já desenvolveram experiências nucleares, como é o caso de Índia, Paquistão, Coreia do Norte e, supostamente, Israel e África do Sul, que teriam em seu poder artefatos nucleares com fins não pacíficos. Destes, Índia, Paquistão e Israel não estão entre os atuais 187 signatários deste Tratado, enquanto a Coreia do Norte é o único signatário a ter-se retirado do acordo em 2003.


QUESTÃO 16

Melhor desempenho socioeconômico: Suécia, com 39,6 mil dólares anuais de PIB per capita corrigido pela PPC. Pior taxa de desenvolvimento: Níger, com o IDH de 0,311, o mais próximo de zero.

De acordo com a tabela respaldada no PNAD de 2006, no elenco de países, a Suécia destaca-se como o país de melhor desempenho socioeconômico, tanto pela renda per capita quanto pelo IDH, de 0,951, o mais próximo de 1,0. Trata-se de um país típico do mundo rico, o Norte rico, com grande desempenho no setor industrial de alto valor agregado associado às inovações tecnológicas. A Suécia destaca-se entre os escandinavos por sediar expressivo número de transnacionais de grande inserção no mercado mundial, cujos gigantescos dividendos se distribuem de forma mais equitativa na forma de royalties e tributos entre a sua reduzida população (cerca de 10 milhões de habitantes).

Em contraposição, Níger é um país subsaariano da região do Sahel africano, caracterizada como uma das mais miseráveis do Sul pobre, destacando-se entre os países de menor IDH do mundo. Assolado por guerras étnicas e pelo avanço dos processos de desertificação, em face do uso de técnicas inadequadas de produção agrícola, Níger tem grande parte de sua população vivendo abaixo da linha de pobreza humana. Com uma renda per capita corrigida pela PPC de 278 dólares anuais, a maioria de sua população vive com menos de 1 dólar por dia, daí os mais elevados índices de mortalidade infantil, a menor expectativa de vida e menor percentual de acesso à água potável.


QUESTÃO 17

As charges retratam o processo de favelização típica dos grandes centros urbano-industriais do Brasil, sobretudo do Rio de Janeiro, onde as encostas de morros voltadas para o litoral possibilitam grande visibilidade deste fenômeno que contrasta com a beleza cênica de sua paisagem, na qual também se destaca o monumento do Cristo Redentor.

Entre as principais causas do processo de favelização, pode-se citar:

*A macrocefalia urbana provocada pelo crescimento caótico das cidades, fato típico dos países em desenvolvimento;
*Insuficiência dos investimentos públicos em infraestruturas que sejam capazes de suportar a demanda por serviços públicos voltados para saúde, educação, transporte e habitação;
*Manutenção de uma estrutura social de grande disparidade socioeconômica, uma vez que há forte concentração da renda nas mãos de uma minoria;
*Forte especulação imobiliária, pressionando a valorização de imóveis para venda ou aluguel, e empurrando a população de baixa renda para as áreas de risco, como as encostas de morros e várzeas sujeitas às inundações;
*Aumento do desemprego estrutural, levando grande parte da população de baixa renda para o subemprego e para a economia informal.


QUESTÃO 18

Os EUA, a União Europeia e o Japão são os países de maior recepção de imigrantes qualificados, por oferecerem melhores oportunidades de empregos, salários e possibilidades de acesso à progressão de estudos avançados associados às pesquisas em inovações tecnológicas.

Índia, Rússia, Coreia do Sul e países da Ásia Central e da Europa Oriental são os países e regiões de maior partida de migrantes qualificados e entre eles se destacam os conhecidos como “cérebros”, com alto grau de capacitação profissional, formando um excedente de mão de obra que, não encontrando melhores condições de trabalho e de avanços em seus campos de pesquisas em seus países, se deslocam para os centros mais atrativos, como os já citados.

Esses mesmos países e regiões atrativas (EUA, UE e Japão), acrescidos da China, também se constituem como áreas de intensos fluxos migratórios intrazonais por razões econômicas. Da mesma forma que o sistema econômico atual (o globalizado) se caracteriza pela desigualdade no âmbito mundial, também essa desigualdade ocorre no âmbito interno dos países, em face dos processos de formação de novos centros dinâmicos da economia. Por isso, é possível notar no mapa esses fluxos de áreas menos dinâmicas, como Sudeste Asiático, México, África Subsaariana, para as áreas de maior dinamismo, como, respectivamente, Austrália, EUA e Europa.


QUESTÃO 19

a) Observando-se o mapa, percebe-se que a taxa de fecundidade da Índia é maior ao norte (mais de 5), diminuindo em direção ao sul do país, onde varia de 1,8 a 2,2.

b) As taxas diminuem ao sul devido ao processo de urbanização, às maiores taxas de escolaridade e emprego. A mão de obra abundante, mais escolarizada e barata garante a expansão do setor de serviços.

Um exemplo é a cidade de Bangalore, - capital tecnológica do país -, considerada o Vale do Silício indiano, com centros de excelência na produção de tecnologia, em áreas como produção de softwares, aviões e pesquisas espaciais, entre outras.


QUESTÃO 20

a) As consequências da desconcentração industrial para o estado de São Paulo foram a diminuição de sua participação no valor da produção industrial nacional, a migração da PEA (População Economicamente Ativa) do Setor Secundário para o Setor Terciário (terceirização da economia), devido à queda do número de indústrias no estado e a descentralização de indústrias dentro do estado, com a migração de indústrias rumo ao interior do estado.

b) Os estados que se beneficiaram com o processo de desconcentração industrial foram os estados no Nordeste, dentre eles, especialmente a Bahia e o Ceará, o estado de Minas Gerais, no Sudeste e os estados da Região Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina).

Esse processo gerou a chamada “guerra dos lugares”, ou “guerra dos governadores” que disputaram as empresas com incentivos fiscais e não fiscais, tais como doação de terrenos, isenção de impostos, infraestrutura gratuita e mão de obra barata e mais escolarizada devido à melhoria do ensino e dos cursos técnicos e profissionalizantes.


QUESTÃO 21

a) As fronteiras agrícolas são áreas limítrofes entre regiões onde predomina o elemento natural e as áreas de agropecuária. Em função da histórica concentração de terras no país, posseiros vão para as áreas de terras devolutas onde queimam a vegetação e iniciam a ocupação da terra.
Posteriormente, chegam os grileiros e latifundiários que expulsam os posseiros, os quais, por sua vez, ampliam cada vez mais a fronteira agrícola - e ocupam a terra com agropecuária de exportação. Além deles, as madeireiras ameaçam as terras indígenas e as Unidades de Conservação, invadindo-as para extração de madeira nobre.

b) Os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária eram fragmentados até a década de 1980. Depois da criação do MST em 1984, muitos desses movimentos passaram a buscar uma unidade política nacional, fortalecendo a luta no campo, a qual passou a ter um nível de organização sem precedentes na história das lutas sociais no Brasil e, ao se tornar nacional, a defesa da reforma agrária passou a pressionar diretamente o governo federal a agir no sentido de assentar as famílias acampadas (o que tem sido feito sem alterar a estrutura fundiária vigente e em ritmo mais lento do que o esperado por estes movimentos).
A luta pela reforma agrária se sofisticou no sentido de não ser apenas uma luta por distribuição de terra, mas também por assistência técnica e de logística, infraestrutura, financiamento federal e maior participação política.


QUESTÃO 22

a)  I. Planície Litorânea.
    II. Depressão Relativa.

b) A planície é uma extensão de terreno mais ou menos plano onde o processo de sedimentação é maior que o processo de erosão, de desgaste. No desenho mostrado, a planície litorânea faz limite com a escarpa do planalto. Vale lembrar que as escarpas são paredões rochosos que marcam os limites dos planaltos.
A depressão relativa é uma forma de relevo situada abaixo do nível das terras que a circundam. As depressões podem ser sedimentares ou cristalinas. Nelas, há predomínio da erosão sobre a sedimentação.